segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Mestre Sábia
Nascido em 06 de abril de 1963, na cidade de Areia – Paraíba, Marcos Antonio Batista, nome de batismo, iniciou sua trajetória na capoeira no ano de 1982 aos 18 anos de idade, através de um colega de escola, o instrutor Luciano, conhecido como “Pé de Ferro” aluno do Mestre Zumbi-Bahia. Durante os finais de semana o “Pé de Ferro” dava aulas de Capoeira na Escola Estadual Santa Júlia em João Pessoa, onde os dois estudavam, após um período de quatro meses quase todos os alunos de “Pé de Ferro” desistiram, ficando assim apenas os alunos que mais se identificaram com a Capoeira, entre eles estavam: Marcos Antonio Batista; Iresmar (o Concha) e Gilmar (o Baiano). Sem conseguir incentivo para dar continuidade às aulas, o instrutor “Pé de Ferro” levou seus alunos para treinar no SESC – João Pessoa com o Cláudio Raimundo da Silva – Mestre Paulista, pelo fato de que o seu Mestre o Zumbi-Bahia não mais morava em João Pessoa. No primeiro dia de aula o Mestre Paulista ao ver Marcos lhe deu o apelido de Sabiá, por achá-lo parecido com um grande capoeirista da época em que treinava em São Paulo. Em 1985, “Sabiá” veio morar em Campina Grande, mas continuou desenvolvendo o trabalho de Capoeira juntamente com danças afro-brasileiras no teatro municipal Severino Cabral e logo foi transferido para o Centro Cultural de Campina Grande tendo dado o nome do grupo de BADAUÊ por ser uma palavra de um dialeto africano, mas devido ao preconceito contra a cultura negra, os alunos preferiram ficar apenas com a modalidade Capoeira.
Em 1986, o Mestre Paulista decidiu parar com suas atividades neste país, por falta de incentivo e apoio ao seu trabalho principalmente no estado da Paraíba que, na sua opinião não valorizam os profissionais que trabalham com cultura. Resolveu então buscar apoio em outro país, Portugal, onde se encontra até hoje desenvolvendo o mesmo trabalho que realizava no Brasil, sendo que lá recebeu todo o apoio e valorização merecida de profissional que dissemina a cultura afro-brasileira.
Tendo sido graduado pelo Mestre Paulista até o cordel Amarelo-azul, com o título de instrutor, permanecendo seu aluno até o ano de 1986, mesmo morando em Campina Grande, Sabiá só se desvinculou do Mestre Paulista após o mesmo ter deixado o país.
No ano de 1986, um capoeirista baiano chamado José Bento estava a passeio por Campina Grande e quis conhecer a capoeira paraibana, indo visitar o Grupo de Capoeira Badauê, no Centro Cultural de Campina Grande, que era coordenado pelo instrutor Sabiá, ao qual tornou-se amigo pela identificação com a Capoeira, convidou-o para conhecer o Mestre Caveirinha em Maceió – Alagoas. Por coincidência, na rodoviária de Maceió, José Bento encontra seu primeiro Mestre de Capoeira o Mestre Nô, o qual o apresenta ao amigo Sabiá, então o Mestre convida ambos para irem com ele para um evento de Capoeira que estava acontecendo naquela cidade, evidentemente concordaram e no término do evento, Mestre Nô ao saber que o Instrutor Sabiá era um admirador da cultura afro-brasileira convidou-o para ir conhecer o seu trabalho em Salvador – Bahia. Tendo se identificado com o jogo de Capoeira executado pelo Mestre Nô, Sabiá viajou no mesmo ano para Salvador, tendo conhecido o trabalho da Associação Palmares da Bahia que é coordenada pelo Mestre Nô, recebeu o convite para filiar-se a esta associação. E assim ele se integrou à associação do Mestre Nô, passando por vários estágios até chegar ao título de mestre no ano de 1993, durante um encontro de Mestres da Associação Palmares em Salvador – Bahia.
Em junho de 2002, O Mestre Sabiá viajou para a Europa, onde ministrou workshops de Capoeira na Áustria e Suíça “a convite de um ex-aluno seu, que foi tentar a “sorte” em outro país pelo mesmo motivo que tem levado outros capoeiristas a se afastarem do seu país pela falta de valorização de quem trabalha com a cultura afro-brasileira. O Mestre pôde então entender porque o Brasil vem perdendo seus melhores profissionais na área da cultura, porque em outros países os governantes investem na cultura de todos os povos em “pé” de igualdade, onde vários Mestres brasileiros tem recebido além de incentivos, homenagens pela disseminação da cultura afro-brasileira. Ele mesmo foi homenageado pelos capoeiristas da Áustria pelos seus 20 anos de Capoeira. Em dezembro de 2002, o Mestre Sabiá após um longo período de reflexão, sentiu que praticamente se encontrava abandonado pela Associação Palmares, a qual havia se filiado há mais de 15 anos, chegando assim à conclusão de que seu trabalho não poderia ficar preso a uma Associação que não mais somava, levando-o assim ao seu desligamento.
O Mestre Sabiá tem seu trabalho reconhecido nacionalmente, sendo uma referência da Capoeira Paraibana e por este motivo se viu na responsabilidade de desenvolver um trabalho com maior autonomia reacendendo a chama do Badauê, que é a sua marca desde 1985, ano de fundação da Associação Cultural de Capoeira Badauê, pois “a Capoeira não tem limites”, ela é para homem, menino e mulher, nasceu livre e resiste até hoje a toda e qualquer forma de discriminação. A metodologia do seu trabalho é resgatar as origens e os fundamentos da Capoeira. Assim é Marcos Antonio Batista, o Mestre Sabiá, uma pessoa simples, sempre de bem com a vida, com uma sabedoria e experiência de vida ímpar, um exímio capoeirista ele é sem dúvida alguma, um grande líder e orientador, um dos grandes nomes da Capoeira Paraibana, Brasileira.
Fonte:http://www.capoeirabadaue.hpg.com.br/home.htm
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